30 abril 2007

A primeira a gente nunca esquece

Neve pra que te quero!

Sair da Califórnia, depois de passar bastante tempo morando nas geladas montanhas de Lake Tahoe, para conhecer o destino mais cobiçado de dez entre dez surfistas – a Indonésia - era, para mim, como aquele sonho, distante, quase impossível de acontecer.
Ainda bem, eu disse quase.

Lembro como se fosse ontem, meu amigo local Bryan me levando à rodoviária de Reno, para uma viagem que, em geral, dura quatro horas e meia (de busum). Era meu ultimo dia naquela cidade, que havia me abrigado para uma temporada de três meses fazendo snowboard – que foi se estendendo por quase cinco.
Havia passado o dia inteiro me sentindo muito mal. Não sei se era a descarga de adrenalina ou já a nostalgia acelerada que viria a sentir da neve. Findo o dia, tentei dormir.
Delirei, literalmente.
Não pergunte porque o corpo faz dessas coisas. A onda não foi nem um pouco boa.

Tudo vale à pena... (?!)


Cena de filme: trânsito, ônibus sem ventilação, um senhor mais que robusto, digamos assim, sentado ao meu lado; além de não dormir, o espaçoso sessentão ficou a viagem inteira comendo aqueles alimentos que fazem os Estados Unidos levarem a fama de país do fast-food.
Já viu isso em algum lugar? É o tipo de cena que acontece sempre com algum amigo próximo, e sempre damos risada. Dessa vez, foi comigo, e não foi nada engraçado.

Sentiu o drama?

Depois da exaustiva viagem, oito horas apertado num ônibus sentido cheiros que variavam dos nachos com cebola à picles em conserva, chego em São Francisco. Meio-dia em ponto. Meu vôo sairia pouco depois da uma da madrugada. Eu teria o dia inteiro pela frente. E nada do enjôo passar. Só pensava em chegar logo ao aeroporto.

Não vale nem tentar explicar a ansiedade. Era deliciosamente e ao mesmo tempo angustiantemente infantil. Inexplicável.
O sonho estava ali, tão perto, e ao mesmo tempo ainda tão longe. Inevitáveis 22 horas, entre pousos, decolagens e fusos-horários me separavam do sub-consciente, incipiente. De quase tudo que eu sempre sonhei.

22h45. Acordei no aeroporto. Não sabia se era bom ou ruim; perdi o dia, mas, pelo menos, o tempo passou.
Em momentos já estava na fila de check-in. Estranhei a rapidez do embarque e do vôo. Pudera, dormi o tempo todo. Logo, já estava em Taipei, uma das escalas. Tentei, sem sucesso, comprar uma coca-cola. Nenhuma maquina de refrigerantes aceitava dólares, e, mesmo se aceitasse, todos os enlatados ali dentro vinham com rótulos em algum alfabeto impossível de ser decifrado por um brasileiro.


Droga! por quê não trouxe meu dicionário português-mandarim tradicional?

As próximas horas foram dedicadas ao êxtase total. Da janela, era possível assistir ao filminho das ilhotas passando, contornadas por barreiras de coral; tudo perfeitamente distribuido e misturado na aquarela de cores do mar, entre tons de verde, azul, e o amarelo clarinho da areia. Impressionistas, iluministas, renascentistas e etecetera que me desculpem... tanto faz. Ali, enxergava a beleza da arte do Criador.


Cuidado para não babar no teclado...


O desembarque na ilha de Bali, e o mês que veio a seguir, fica para a próxima...

4 comentários:

Anônimo disse...

Realmente, quase babei no teclado com essa foto! Mas, um dia, também realizo esse sonho e vou para BAli!!! haha
Bjinhos Monique

PACO disse...

o nível do colunista melhora a cada texto!! prendeu bem a atencao do comeco ao fim!

Ju disse...

Texto emocionante mesmo, fiquei com vontade de ler mais.
Eu consigo imaginar a sua felicidade realizando esse sonho.
Que venha Maldivas!:)

Renato de Alexandrino disse...

Fala, Bruno
Valeu pela visita lá no blog. Calma, tô apenas começando! Botei a brincadeira no ar no sábado..
Apareça mais vezes.

Vou ler com calma teu blog depois. Já tá salvo aqui nos favoritos.

Abraços